São Paulo, 18 de maio de 2012
Impossível falar de comunicação sem lembrar da celebre frase de um dos maiores comunicadores que o Brasil perdeu em 1988, José Abelardo de Barbosa Medeiros, o Chacrinha, que diz: "Quem não se comunica, se estrumbica". "Estrumbicar" que é o mesmo que "Trumbicar", significa: fracassar prejudicando-se; causar o próprio malogro; dar com os burros n'água. Em outras palavras, a falha de comunicação prejudica inicialmente a nós mesmos e depois, em cadeia e sistematicamente a todos que direta ou indiretamente deveriam ter alguma informação adequadamente estruturada.
Já cansei de ouvir que uma área, uma empresa ou qualquer outra organização tem "problemas de comunicação", mas paradoxalmente percebo pouca ou nenhuma atividade para corrigir essa falha que acompanha os homens desde os primórdios da história, porque comunicar-se não é uma tarefa simples se pensarmos nas etapas do processo. Vejamos, Temos dois papeis, o "Transmissor" e o "Receptor", sendo que:
TRANSMISSOR deve:
1. Elaborar a ideia
2. Contextualizar a mensagem
3. Codificar a mensagem
4. Transmitir a mensagem
Enquanto o RECEPTOR, deve:
1. Receber a mensagem
2. Decodificar a mensagem
3. Interpretar a mensagem
Se qualquer um desses passos falharem, a comunicação estará comprometida. Agora pense em quantas vezes você já falhou nesse processo, e não precisa ir muito longe não, pense nas duas últimas semanas!!
Para ilustrar o que estou dizendo, tenho um pequeno case pessoal. Após montar uma apresentação detalhada, sobre um produto para o qual eu estava totalmente preparado para dissertar, eu decidi submete-la à alguns especialistas no tema. Quando fiz isso tinha certeza que o material estava completo. Acreditem, todos eles, sem absolutamente nenhuma exceção, fizeram comentários complementares e distintos sobre o meu documento.
Naturalmente avaliei cada crítica e fiz correções desde a estrutura até a lógica que eu iria apresentar. Quando finalizei, percebi que o discurso que eu acreditava estar bem feito, era incipiente na forma como imaginei apresentar, e não pelo conteúdo, mas por trazer um único nível de compreensão em seu contexto. Encontrei a minha falha de comunicação, corrigi e depois de apresentar novamente a todos, percebi que a linguagem estava correta.
Corrigir o processo de comunicação não é uma tarefa fácil por tratar-se de questões culturais. Mas tenho duas pequenas sugestões que se forem colocadas em prática, pode trazer bons resultados. A primeira é individual, um exercício que devemos fazer quando formos apresentar alguma coisa de importância relevante para seus interlocutores.
Após pensar no que você quer falar, coloque brevemente em um papel, possíveis respostas para:
1. Qual a importância do assunto para mim, para meu interlocutor e para o negócio?
2. Quais os aspectos que despertarão o interesse do meu interlocutor no assunto em pauta?
3. Quais são os pontos forte e fracos do que irei apresentar?
4. Quais as possíveis perguntas que meu interlocutor fará? (Pense em alguem muito critico)
5. Qual o tempo adequado para transmitir a mensagem sem excessos?
Essas questões irão ajudar na preparação de todas as fases referentes ao TRANSMISSOR. Se você fizer isso cinco ou seis vezes e ainda tiver a oportunidade de se preparar fazendo a apresentação para outras pessoas que não sejam seus reais interlocutores, com o passar do tempo esse exercício será natural e fara parte da sua preparação para qualquer embate.
O próximo exercício é para testar a sua capacidade de falar para um grupo. Trata-se da paráfrase. Quando você perceber muita falha na comunicação com o seu grupo, pratique a paráfrase da seguinte forma:
Quando convocar uma reunião, seja o mais objetivo possível, tentando reduzir ao máximo o tempo de apresentação, sem prejudicar a informação. Quando finalizar, peça para cada participante da mesa repetir o que você falou explicando o que será realizado. Corrija as falhas de interpretação imediatamente e defina tempos específicos para cada atividade. Depois acompanhe os prazos para garantir que todos se lembram do que deveriam fazer.
Para os dois exercícios, documente o necessário, sem exageros e sempre de forma objetiva. Com o passar do tempo, eles serão desnecessários e estarão integrados a cultura de comunicação da empresa.
É isso ai
Grande abraço a todos








