São Paulo, 28 de junho de 2011
Nenhuma empresa existe sem metas pré-estabelecidas. Metas para retorno sobre seu investimento, metas para qualidade do seu produto, metas para seu posicionamento no mercado, metas para o desenvolvimento de seus profissionais, enfim, metas que sejam mensuráveis, e que mostrem se ela está ou não no caminho certo, dentro de sua visão, missão e valores.
Muito bem, junto disso tem uma tal “TI”, misteriosa, gastona e que lembra uma droga, se fosse possível todos se livravam dela, mas ela causa dependência crescente e sistemática, coisa que não tem absolutamente nada em comum com a transparência processual que gera a sustentabilidade que as empresas precisam para atingirem as tais metas.
Vamos colocar um novo personagem para dar mais consistência à história. O Framework. E claro, vamos começar pelo ITIL, o anti-herói da TI. Aquele que traz consigo a solução para todos os problemas, mas que na hora “H” parece que mais atrapalha que soluciona. Quantas empresas vocês conhecem, que já atuam em nível de maturidade alto em todos os processos ITIL? Quantas CMDBs estruturadas e funcionais, conforme manda o modelo, vocês já viram em produção? (Se a resposta for maior que 50, pare de ler esse texto e por favor me mande essas referências. Caso contrário, me permita continuar o raciocínio).
E ainda não acabou, tem também outro monstro terrível chamado “Ego” uma criatura asquerosa e medonha que entra no kernel dos profissionais de TI (porque gente de TI não tem DNA, tem kernel) e faz um grande estrago dizendo que o que ele sabe deve ser guardado a sete chaves para a manutenção do seu emprego, e que essa história de disseminação do conhecimento é uma conspiração extra-terrestre para limpar nossas mentes e entregar o planeta.
Senhoras e senhores, tentei em poucas palavras, definir exatamente o cenário atual da nossa tão amada área. E fiz isso unicamente para falar sobre como devemos nos portar diante dessa dissonância tão explicita e tão difícil de resolver.
Inicialmente devemos lembrar que o ponto de partida para os trabalhos da TI é a compreensão das metas de negócio, sua visão, missão e valores (E podem acreditar, em alguns casos o próprio negócio tem dificuldades de definir isso). Depois, devemos criar um quadro estratégico para que possamos conectar metas, ou seja, criar para a TI, a razão que a apresenta como “ativo estratégico” para o negócio. A melhor forma de fazer isso é criando a declaração de visão e missão da TI e ligando a Visão da TI a um ou mais pontos da missão do negócio, como sugere o Balanced Scorecard. Acreditem, sem esse alinhamento, nunca haverá integração de TI com o negócio.
Não é adotando ITIL, Cobit, ISO, EFQM, PMI ou outros frames que fará com que esse alinhamento ocorra. Já vi empresas que conseguiram esse alinhamento sem nenhum desses modelos de gestão, e outras que adotam todos eles e ainda não fazem a menor idéia de como chegar nessa compreensão, que eu chamo de estratégica.
Criando essa percepção, é hora de ver tudo de bom que os processos de TI já possuem em relação aos objetivos propostos. Não desconsidere nada que já apresenta resultados positivos. Depois faça uma comparação dos seus resultados com o mercado, muita gente se supreende positiva ou negativamente quando faz esse benchmarking. Ai sim é hora de ver quais são seus pontos fortes e fracos e escolher o melhor frame e gestão, para sua realidade. O que nos leva ao ponto mais complicado. O Ego. E a resposta para essa questão, vem de outra pergunta. O que motiva nossos profissionais?
Um artigo publicado pela Harvard Business Review em 2003, mostra que os cinco maiores agentes motivadores são: realização, reconhecimento, o trabalho em si, responsabilidade e progresso. Cabe aos gestores e lideres de equipe entender como as tarefas do dia-a-dia podem contribuir com esses cinco agentes. E a base para a mudança, certamente poderá ser encontrada na gestão do conhecimento.
O profissional se sentirá realizado quando seu conhecimento contribuir efetivamente para a manutenção da área de TI. Esse deverá ser reconhecido por sua capacidade de gerar novos conhecimentos e não apenas por suas tarefas operacionais rotineiras, Isso tornará suas atividades mais agradáveis, pois ele dedicará tempo para pesquisa e criação de novas possibilidades, despertando sua criatividade, o que lhe entrega a responsabilidade com as soluções e com os seus colegas, pois o conhecimento deve ser sempre de boa qualidade, e quando alinharmos as capacidades individuais rumo ao atingimento das metas de negócio, poderemos inserir essa cadeia de ações ao plano de desenvolvimento de carreira dos nossos profissionais.
Pensando dessa forma, podemos vislumbrar um horizonte muito positivo para a área de TI, que é cada vez mais necessária para o negócio, e precisa definitivamente repensar sua postura dentro da perspectiva estratégica.
É isso ai!!
Grande abraço a todos

Concordo contigo Nino, o próprio mercado vem criando um paradigma que sem a adoção de
ResponderExcluir"Frames", não haverá sucesso e nem conseguirá o alinhamento entre a TI e o negócio.
Costumo discursar aqui na empresa que o melhor, framework é aquele que faz o seu cliente satisfeito e atinge as metas do negócio, ITIL, COBIT e toda a sopa de letrinhas é muito importante para conceituarmos algumas situações, mas está muito longe de ser garantia de bons resultados, satisfação dos clientes, ou alinhamento com negócio (que é a principal razão de existirmos).
Converso com muitos profissionais e vejo um encantamento muito grande com alguns frames, e estes acabam vivendo para sustentar processos que não tem sentido algum e esquece dá essencia da TI (Administrar a informação) e ao invés de ser facilitador, se torna um mal necessário para o negócio.
Precisamos quebrar este paradigma para obter sucesso e a tão sonhada integração "TI e Negócio".
Um forte abraço mestre
Recentemente fiz uma consultoria para uma escola profissionalizante no interior do Estado. O problema: Ninguém está satisfeito com a TI. O profissional que cuida de tudo é muito bom, mas...
ResponderExcluirPara falar sobre o negócio, iniciei por entender o negócio: Qual o tamanho da escola, quantos alunos, quantos professores, quantos cursos, média de alunos por sala de aula, que tipo de investimentos haviam na qualificação/reciclagem dos professores, etc. Todas as respostas foram rápidas, sem necessidade de consultas a qualquer tipo de material. Faz sentido.
A passei a perguntar sobre TI: quantos computadores, quem tinha acesso aos computadores, que atividades eram executadas, como era feito o backup das informações, que tipo de segurança havia, etc. As respostas? Sempre iniciadas por "acho que..." ou "aproximadamente..."
Daí perguntei aos administradores da escola, pergunta que gostaria de compartilhar como os leitores de blog:
De quem é a responsabilidade por "conectar a TI ao negócio"? Dos profissionais de TI ou da Alta Direção da empresa?
Penso que há uma lacuna enorme entre o negócio e a TI, e não entre a TI e o negócio. Os profissionais de TI querem, buscam, tentam e se esforçam.
Já o negócio... Parece haver um esforço para manter o negócio longe da TI.